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Da Revista
Rei da Disney
05/07/2010
Adriano Bastos é heptacampeão da tradicional Maratona da Disney, vencendo todas as edições das quais participou. Conheça um pouco mais do atleta, que é pura irreverência quando cruza a linha de chegada.
Por Thaís Meinicke
Com quantos anos começou a correr?
Com 12 anos. Meus irmãos já faziam atletismo e eu sempre os acompanhava nas provas. Em uma delas, houve uma corrida infantil e eu resolvi participar em cima da hora. Mesmo sem treinar, fiquei em 3º lugar, entre atletas de até 15 anos. Depois disso, a treinadora deles me convidou para treinar também.
Você praticou oito anos de triatlo. Como conheceu o esporte?
Treinei corrida por um ano e meio, até conhecer uma galera que fazia triatlo. Meu irmão tinha uma bike e usei a dele para começar a competir.
Como foi participar do Ironman?
Competi em 1997 e 1998, quando o Ironman ainda ocorria em Porto Seguro, e não em Florianópolis, como atualmente. Além do percurso ser bem pesado, ficava difícil por ser uma prova extremamente quente. Mesmo assim, consegui bons resultados: no primeiro ano, fui o 20º colocado no geral e o primeiro em minha faixa etária, de atletas até 19 anos, e no segundo fiquei em 18º e fui o 4º em minha categoria. Em 97, conquistei a vaga para a etapa mundial, no Havaí, por ter ficado em primeiro na minha categoria. Mas abri mão da viagem porque achei que ainda não estava preparado e deixei para tentar de novo no ano seguinte. Acabei ficando em 4º e perdi a vaga, que só é dada aos três primeiros colocados, por oito segundos!
E por que decidiu se dedicar só ao atletismo depois de sete anos no triatlo?
Nesses anos de triatlo, sempre fui superior na corrida, e isso despertou a atenção de algumas pessoas. Em 1999, o João Paulo Diniz, que também faz triatlo, me ofereceu patrocínio e me convidou para fazer parte da equipe de atletismo do Pão de Açúcar.
Em 2003 você teve uma grave lesão e teve que ficar afastado do esporte por seis meses. Foi o pior momento da sua carreira? Chegou a pensar em desistir?
Eu tinha vencido a Maratona da Disney pela primeira vez e estava treinando para tentar o bicampeonato. Mas tive uma pubeíte num nível de inflamação tão alto que tomou toda a região da bacia. Não conseguia nem levantar. A recuperação foi muito dura. Era como se eu fosse um sedentário, coisa que nunca fui, tentando começar um esporte. Mas não pensei em parar, só tive medo de não conseguir voltar a correr.
Hoje você é heptacampeão da Maratona da Disney. A que você credita essa hegemonia na prova?
Venci todas as provas que competi na Disney. É uma prova que me motiva muito, tanto pelo tema quanto pelo ambiente lúdico dos parques. Quando venci a primeira vez, percebi que a prova me deu uma retorno de mídia muito grande e vi que ela poderia ser um gancho para alavancar minha carreira. Então passei a focar muito nessa prova. Ela acontece em janeiro, numa época em que a maioria dos atletas já diminuiu o ritmo de treinamento, mas meu ano só acaba depois da Disney. Continuo treinando forte até essa prova.
E o visual inusitado que você usa para correr na Disney?
Isso é outra estratégia. Faço para chamar a atenção mesmo, e me destacar não só pela vitória, mas também pela forma como cruzo a linha de chegada. Quero mostrar que os atletas de ponta não precisam ser sérios o tempo todo. Eles também podem se divertir.
Quais são os próximos planos?
A próxima maratona será a do Rio de Janeiro. Mas tenho um plano mais ambicioso, a longo prazo. Quero completar a ultramaratona de Conrades, na África do Sul, em 2013, e chegar pelo menos entre os 10 primeiros colocados.